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Gestão de Riscos no TRE-BA

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Gestão de Riscos no TRE-BA

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Visão Geral

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) instituiu formalmente seu Sistema de Gestão de Riscos (SGR) por meio da Resolução Administrativa nº 16/2018, tendo como objetivo fornecer garantia razoável ao atingimento dos objetivos institucionais — entre eles a missão de garantir a legitimidade do processo eleitoral e o livre exercício do direito de votar e ser votado.

A gestão de riscos no TRE-BA é orientada por três referenciais teóricos principais:

  • COSO ERM – Gerenciamento de Riscos Corporativos – Estrutura Integrada
  • ISO 31000 – Princípios e diretrizes para gestão de riscos
  • Modelo das Três Linhas (IIA) – Estrutura de governança e responsabilidades

Categorias de Risco Adotadas no TRE-BA

O TRE-BA classifica seus riscos em dez categorias, conforme definido em seus normativos:

Categoria Descrição
Operacional Relacionados a procedimentos ou processos internos
Estratégico Impactam diretamente o atingimento dos objetivos estratégicos
Conformidade Não atendimento à legislação, normas e procedimentos vigentes
Comunicação Falhas ou deficiências na comunicação interna ou com partes interessadas
Sustentabilidade Danos associados à falta de práticas sustentáveis (ambiental, social, econômico)
Tecnológico Ameaças associadas ao uso de tecnologia, sistemas e infraestrutura de TI
De Pessoal Eventos associados à força de trabalho (RH, saúde, capacitação, relações laborais)
Orçamentário Desvios entre o planejamento financeiro e sua execução
Integridade Corrupção, fraudes, irregularidades e desvios éticos de conduta
De Eleições Ameaças à integridade, justiça e legitimidade do processo eleitoral

Riscos Críticos são aqueles com impacto potencial relevante nas principais atividades ou objetivos do Tribunal, independentemente da categoria.


O Modelo das Três Linhas no TRE-BA

O TRE-BA estrutura as responsabilidades de gestão de riscos seguindo o Modelo das Três Linhas, conforme o IIA (Institute of Internal Auditors):

1ª Linha — Gestores de Riscos

Titulares de Secretarias, Assessorias, Coordenadorias, Seções e Cartórios Eleitorais.

São responsáveis por:

  • Identificar, analisar, avaliar, tratar e monitorar os riscos em sua área de atuação
  • Elaborar e atualizar os Planos de Tratamento de Riscos (PTRs)
  • Implementar ações mitigatórias para riscos médios e altos
  • Estimular a cultura de gestão de riscos em suas equipes
  • Revisar periodicamente os riscos identificados

Atenção: O(a) Presidente, Vice-Presidente e titulares da Diretoria-Geral e Secretaria-Geral da Presidência não são gestores de riscos — fazem parte da governança do órgão.

Os Cartórios Eleitorais também realizam gestão de riscos, com as Comissões de Chefes de Cartórios consolidando os PTRs da capital e do interior.

2ª Linha — COPEG (Coordenadoria de Planejamento e Gestão Estratégica)

Garante que a primeira linha funcione como pretendido. Responsável por:

  • Coordenar as atividades de gestão de riscos
  • Orientar e monitorar as práticas adotadas pelos gestores
  • Consolidar e validar os PTRs encaminhados
  • Propor a metodologia de gerenciamento de riscos
  • Acompanhar a maturidade organizacional em gestão de riscos

3ª Linha — Secretaria de Auditoria Interna

Fornece avaliações independentes e objetivas sobre os processos de gestão de riscos, controles internos e governança, reportando ao órgão de governança e à alta administração.


Processo de Gerenciamento de Riscos no TRE-BA

A priorização dos processos para gestão de riscos considera tanto o grau de importância para a organização quanto o histórico de problemas ocorridos. O processo completo é estruturado nas seguintes etapas:


Etapa 1 — Estabelecimento do Contexto

Divide-se em dois níveis:

Contexto Geral: Definição das diretrizes, critérios e apetite a risco pelo Conselho de Governança, formalizado na Resolução Administrativa e no Manual de Gestão de Riscos. Revisado anualmente pela COPEG.

Contexto Específico: Análise das circunstâncias que envolvem o processo organizacional selecionado. O gestor de riscos deve mapear:

  • Objetivos e finalidade do processo
  • Unidades responsáveis e partes interessadas
  • Normativos reguladores e sistemas informatizados
  • Análise SWOT do processo (forças, fraquezas, oportunidades, ameaças)
  • Fluxo detalhado das atividades

A Cadeia de Valor do TRE-BA (2021–2026) é o referencial para identificar os processos organizacionais, organizada em três macroáreas:

  • Governança e Gestão (planejamento estratégico, governança, TIC, transparência)
  • Finalísticos (prestação jurisdicional, cadastramento eleitoral, eleições, relacionamento com a sociedade)
  • Apoio (gestão de pessoas, TIC, infraestrutura, gestão orçamentária e contábil)

Cadeia de Valor

Etapa 2 — Identificação de Riscos

O gestor de riscos acessa a Planilha de Tratamento de Riscos (PTR) disponibilizada pela COPEG e preenche os seguintes campos:

Campo O que registrar
Processo Organizacional Processo da Cadeia de Valor relacionado ao risco
Objetivo/Finalidade do Processo O que o processo deve alcançar
Unidade Gestora do Risco Secretaria, Coordenadoria, Seção ou Cartório responsável
Evento de Risco O que pode acontecer e impactar os objetivos
Causas O que origina o evento de risco
Categoria de Risco Classificação entre as dez categorias do TRE-BA

Técnicas de identificação recomendadas: brainstorming, entrevistas, Diagrama de Ishikawa (espinha de peixe) e Análise Bow Tie.

Estrutura recomendada para descrição do risco:

"Devido a <CAUSA>, poderá acontecer <EVENTO DE RISCO>, o que poderá levar a <CONSEQUÊNCIA>."


Etapa 3 — Análise dos Riscos

Risco Inerente

Os riscos são avaliados sem considerar os controles existentes, com base em:

Escala de Probabilidade (3 níveis — Manual Simplificado 2024):

Probabilidade Descrição
Baixa Improvável ou rara; circunstâncias pouco indicam a possibilidade
Média Possível; circunstâncias indicam moderadamente essa possibilidade
Alta Provável ou certa; circunstâncias indicam fortemente a ocorrência

Escala de Impacto (3 níveis — Manual Simplificado 2024):

Impacto Descrição
Baixo Pouco importante; não compromete a execução do processo
Médio Importante, mas não compromete a execução; desconformidades moderadas
Alto Muito importante; dificulta ou pode impedir a execução do processo

Matriz de Probabilidade × Impacto — Nível de Risco Inerente:

Impacto Alto Impacto Médio Impacto Baixo
Prob. Alta 🔴 ALTO 🔴 ALTO 🟡 MÉDIO
Prob. Média 🔴 ALTO 🟡 MÉDIO 🟢 BAIXO
Prob. Baixa 🟡 MÉDIO 🟢 BAIXO 🟢 BAIXO

Controles Internos e Nível de Confiança

Após identificar o risco inerente, o gestor deve listar os controles existentes e avaliar seu nível de confiança:

Nível Descrição Grau de Confiança
Inexistente Controles inexistentes, mal desenhados ou não funcionais 0%
Fraco Aplicados caso a caso, dependentes do conhecimento individual 25%
Mediano Mitigam alguns aspectos, mas não cobrem todos os riscos relevantes 50%
Satisfatório Sustentados por ferramentas adequadas; mitigam consideravelmente 75%
Forte Considerados "melhor prática"; mitigam adequadamente todos os aspectos 95%

Risco Residual

Risco Residual = Risco Inerente × (1 − Nível de Confiança nos Controles)

A PTR calcula automaticamente o risco residual e a resposta ao risco recomendada.


Etapa 4 — Avaliação dos Riscos

O apetite a risco do TRE-BA é baixo. Com base no risco residual calculado:

Risco Residual Resposta ao Risco
🟢 Baixo Aceitar — nenhuma medida adicional é necessária
🟡 Médio Tratar (Mitigar) — obrigatório pelo gestor de riscos
🔴 Alto Tratar (Mitigar) — obrigatório pelo gestor de riscos

Exceção: Riscos residuais médios ou altos podem ser aceitos somente se ficar comprovado que o custo de implementação dos controles supera os benefícios. Essa avaliação deve ser documentada em processo SEI específico.


Etapa 5 — Tratamento dos Riscos

As opções de resposta ao risco no TRE-BA são:

  • Mitigar: Reduzir o impacto ou a probabilidade de ocorrência
  • Aceitar: Tolerar o risco sem ação específica (apenas quando justificado)

No Manual de Gestão de Riscos (v1.2/2019), são previstas ainda as opções de evitar e transferir/compartilhar o risco.

Procedimento para ações de mitigação: 1. Documentar a ação de tratamento em processo SEI (1 processo por Secretaria, para todas as ações de tratamento da unidade) 2. Registrar o número do processo SEI na coluna correspondente da PTR 3. Para ações que envolvam unidade diversa, notificar formalmente a unidade responsável para manifestação sobre viabilidade


Etapa 6 — Monitoramento do Plano de Tratamento de Riscos

O monitoramento do PTR tem recorrência anual e envolve:

  • Avaliação contínua das medidas implementadas para mitigar os riscos
  • Possibilidade de inclusão de novos riscos ao PTR
  • Reavaliação do nível de confiança nos controles internos
  • Incorporação de ações de tratamento bem-sucedidas como controles permanentes

A Planilha de Tratamento de Riscos (PTR)

A PTR é o principal instrumento de registro e acompanhamento da gestão de riscos no TRE-BA. Ela é estruturada em três blocos:

Bloco 1 — Identificação do Risco

Processo Organizacional | Objetivos/Finalidade | Unidade Gestora | ID | Evento de Risco | Causas | Categoria

Bloco 2 — Análise do Risco

Probabilidade | Impacto | Risco Inerente | Controles Internos | Nível de Confiança | Risco Residual

Bloco 3 — Avaliação e Tratamento

Resposta ao Risco | Nº do Processo SEI – Ação de Tratamento


Capacitação em Gestão de Riscos

A capacitação é componente fundamental do programa de gestão de riscos do TRE-BA. Objetivos:

  • Criar consciência coletiva sobre a importância da gestão de riscos
  • Desenvolver competências nos gestores para identificar, avaliar e gerenciar riscos
  • Disseminar a cultura de gestão de riscos em todos os níveis do Tribunal

O processo de capacitação é coordenado pela COPEG/SEGEPRO, com identificação anual de necessidades, definição de temas, contratação de eventos e registro de participação.


Fluxo Orquestrador do Processo de Gestão de Riscos

O ciclo completo do processo no TRE-BA segue a seguinte sequência:

graph TD
    A[Solicitar elaboração do PTR] --> B[Elaborar PTR<br/><i>Gestores de Riscos</i>]
    B --> C[Realizar ações de tratamento de riscos]
    C --> D[Monitorar PTR]
    D --> E[Enviar PTR monitorado/revisado<br/>à COPEG/SEGEPRO]
    E --> F[Selecionar riscos críticos]
    F --> G[Consolidar Plano de Gestão de Riscos Críticos]
    G --> H[Fornecer resultado da análise ao<br/>PGRC, PG e Comissão de Governança]
    H --> I[Aprovar o Plano de Gestão de Riscos Críticos]
    I --> J[Apreciar Relatório de Monitoramento<br/>de Riscos Críticos]
    J --> K[Publicar o Relatório de Monitoramento<br/>de Riscos Críticos]
    K --> L[Solicitar às unidades o<br/>monitoramento contínuo dos riscos]

Relação com o Documento de Teoria

Conceito No documento de Teoria No TRE-BA (este documento)
Estabelecimento do Contexto Definição de parâmetros e escopo Contexto Geral (Conselho de Governança) + Contexto Específico (Gestor de Riscos)
Escala de Probabilidade 5 níveis (Muito Baixa a Muito Alta) 3 níveis (Baixa, Média, Alta) — versão simplificada 2024
Escala de Impacto 5 níveis (Muito Baixo a Muito Alto) 3 níveis (Baixo, Médio, Alto) — versão simplificada 2024
Risco Residual Risco Inerente × Risco do Controle Risco Inerente × (1 − Nível de Confiança)
Respostas ao Risco Aceitar, Mitigar, Evitar, Transferir Aceitar ou Mitigar (foco operacional do órgão público)
Monitoramento Processo contínuo com KRIs PTR anual + revisões periódicas via processo SEI

Referências Normativas

  • Resolução Administrativa TRE-BA nº 16/2018 — Institui o Sistema de Gestão de Riscos (SGR)
  • Resolução Administrativa TRE-BA nº 27/2024 — Define atribuições da COPEG e da Auditoria Interna
  • ABNT NBR ISO 31000:2009/2018 — Gestão de riscos: Princípios e diretrizes
  • Referencial Básico de Gestão de Riscos — TCU, 2018
  • COSO ERM — Gerenciamento de Riscos Corporativos – Estrutura Integrada, 2004/2017
  • Resolução CJF nº 798/2022 — Guia de Gestão de Riscos do CJF